CEAR ou Centro de
Educação Ambiental das Ribeiras de Gaia é um centro onde se realizam estudos e
análises à ribeira.
Iolanda Barbosa
O CEAR está localizado nas redondezas de uma ribeira que
nasce em Perosinho e desagua na praia do Senhor da Pedra. A água desta ribeira
nem sempre foi tão límpida como é na atualidade: há cerca de 20 anos atrás a
água era muito poluída e continha vários resíduos tóxicos.
A ribeira foi perdendo várias espécies e, ao desaguar,
acabava por poluir o oceano. Só quando o saneamento foi instalado é que a
ribeira deixou de receber produtos tóxicos e melhorou gradualmente.
Fauna da ribeira
A ribeira está repleta de espécies de peixes, répteis,
insetos.
O CEAR fez uma reprodução das fases da ribeira através do uso
de aquários que mostram as espécies que podemos encontrar ao longo da ribeira.
“Aqui tentamos reproduzir ao máximo um ambiente semelhante ao
ribeirinho”- afirma uma das investigadoras.
À medida que se avança ao longo da ribeira vão-se encontrando
várias espécies diferentes de animais.
Na nascente encontramos: salamandra-de-pintas-amarelas,
trutas, tritões e boga .
Já na zona média os pimpões são os mais abundantes. No
estuário a enguia, a pardelha e a rã-verde são os mais vistos.
Algumas espécies como a carpa foram introduzidas na ribeira
para aumentar a diversidade de espécies.
Flora da ribeira
Como nem tudo o que é ser vivo é animal, a ribeira é um local
onde a diversidade de plantas impressiona.
Existem muitos choupos na margem, amieiros e ulmeiros. Os
salgueiros também marcam a sua presença nas margens e os investigadores falam
da sua importância pois desta árvore é extraída a substância que é utilizada na
aspirina.
As árvores têm um papel fundamental no ecossistema porque, no verão, graças às folhas, abrigam e protegem a
água dos raios solares fortes e mantêm a
temperatura estável. No inverno, as folhas caem fazendo com que os poucos raios
solares que chegam à Terra penetrem diretamente na água.
A água é poluída ou
não?
Apesar de atualmente a água ser limpa, em dias de chuva a
terra presente no fundo da ribeira mistura-se na água dando um ar sujo e um tom acastanhado. Nesses dias não é
possível saber o verdadeiro estado a nível da qualidade da água.
No verão, o caudal da ribeira diminui imenso porque as
mudanças de temperatura evaporam a água.
Beleza natural e
fatores de qualidade de vida
Depois de muitos anos de tratamento, espécies que comprovam a
qualidade do ambiente apareceram na ribeira. Os líquenes são seres vivos
complexos e são uma mistura entre alga e fungo que não se dão em ambientes
poluídos. Atualmente é possível encontrá-los nas árvores das margens.
Problemas que a ribeira
atravessa
Segundo investigadores da ribeira, como é algo ao ar livre,
muita gente arranca flores, atira lixo e dejetos de animais para o curso de água.
Os excessos de
nutrientes que são atirados para a água prejudicam as espécies que lá habitam.
“Apesar de termos várias regras e tentar ao máximo proteger a
ribeira, não é fácil pois existem plantas invasoras”,
diz a guia do CEAR.
As Ervas pampas são uma das plantas invasoras presentes na
ribeira. O problema desta planta é que cria raízes grandes rapidamente e não dá
espaço para outras espécies de plantas se formarem lá.
Preservação
Para que a ribeira se mantenha em condições boas para o seu
desenvolvimento, há que respeitar e preservar o que é natural.
Apreciar a beleza sem a prejudicar é algo que as guias do
CEAR aconselham sistematicamente.
Toda a gente pode visitar a zona à volta da ribeira, desde que não prejudique o ecossistema.
A ribeira é um bom local para dar passeios de tarde e
para descansar a admirar a sua beleza. A sua preservação depende de todos.